Os Borlububos e os sem-abrigo

Os Borlububos e os sem-abrigo
Beleza e ternura nas ilustrações de Alexandra Duque

A dança das letras

A dança das letras
Esta a capa do segundo livro dos Borlububos, lançado no Dia Mundial da Criança.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

História e magia debaixo do chão


O subsolo do Porto é constituído por uma rede de aquedutos, galerias e grutas que, de certo modo, narram a história do primitivo abastecimento de água à população urbana. Obra de hidráulica (em vigorosa rocha granítica) a que não falta monumentalidade, quer pela sua arquitectura, quer pela sua dimensão: uma cidade debaixo da cidade.
O abastecimento domiciliário de água no Porto é uma conquista recente. Assim como as captações no rio Sousa. Antes disso, muito antes disso, os portuenses abasteciam-se nas fontes e chafarizes públicos que havia por toda a cidade.
De acordo com documentos preservados pelos antigos SMAS (Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento), data de 1392 o primeiro registo sobre o abastecimento de água ao Porto. Trata-se da acta de uma reunião camarária em que a Vereação se propunha minimizar questões ambientais decorrentes da utilização dos chafarizes e fontes, porque neles “sse ffaziam grandes Çugidoens de muytos lixos”.
Tais fontes e chafarizes eram alimentados por água proveniente de vários mananciais e minas que brotavam no subsolo do Porto, desde tempos imemoriais. Os mais abundantes eram os de Paranhos (ou da Arca d´Agua), Salgueiros, Campo Grande, Camões, Póvoa de Cima, Cavacas, Fontainhas, Virtudes, Aguardente e Malmeajudas. As suas águas, que também alimentavam os lavadouros públicos, corriam pela cidade, cortando campos e atravessando ruas, ora a descoberto, ora pelo subsolo.
Não se sabe com rigor quando foi conferida utilidade pública ao manancial de Paranhos, visando a sua exploração para o abastecimento à população urbana. Registos históricos relatam que reinava de D. Sebastião quando moradores da cidade pediram ao monarca autorização para utilizar água daquela nascente em proveito da cidade, oferecendo mil cruzados como comparticipação na obra de encanamento. Mas o “rei moço“ desapareceu em Alcácer-Quibir antes de se pronunciar sobre o assunto. O povo, porém, não desistiu. Resolvida a crise de sucessão, a petição foi reformulada e submetida â avaliação de
Filipe I, que despachou favoravelmente, a 20 de Novembro de 1597.
Mas seria preciso esperar ainda três séculos e assistir à recusa por parte da Câmara Municipal de todas as iniciativas populares, no sentido da criação de um sistema de distribuição de água ao domicílio, pedidos de concessão da exploração de manancial para serviço à comunidade, inclusive, a constituição de uma companhia que se propunha fazer captações no rio Sousa. Nada foi autorizado, enquanto uma organização de aguadeiros, maioritariamente galegos, prosperava, dedicando-se à distribuição domiciliária de água.
Só em 1882, o Executivo camarário, presidido por Correia de Barros, decidiu concessionar à Compagnie Generalle des Eaux pour l'Etranger o abastecimento domiciliário de água aos portuenses.
A memória destes acontecimentos está viva e é tangível, nomeadamente quanto ao antigo manancial de Paranhos, que pela qualidade da sua água e pela abundância do seu caudal foi sempre considerado a “arca do tesouro” do abastecimento de água a população do Porto. A obra de encanamento pautou-se por esse padrão, resultando uma estrutura digna de admiração pública, que cumpre requisitos de atracção turistica e merece ser visitada, sobretudo pela sua dimensão pedagógica.
Entre a Arca d'Água e a Praça dos Leões, o manancial segue num corredor de traçado muito irregular, ora em aqueduto, ora em galeria, ora entubado. Isto significa que há trechos do percurso em se segue a pé, outros em se vai de gatas, outros em que se rasteja e outros em que os visitantes saem e seguem pelo exterior, voltando a entrar mais adiante.
A duração deste percurso, desde a entrada na gruta, no jardim da Arca d' Agua, até à Praça dos Leões, é de cerca de duas horas. O troço entre o Canil e a Rua dos Burgães, é o mais belo e interessante de todo o aqueduto, com as águas subindo o Montepedral, alcantiladas em arcos ogivais.
A alternância que caracteriza o percurso - as entradas e saídas constantes – confere-lhe um clima de aventura.

domingo, 25 de julho de 2010

Obrigada, António Manuel Couto Viana (1923-2010)

LEITUR@GULBENKIAN
ROL DE LIVROS:

Detalhe da recensão: Apreciação:

Os Borlububos e os sem-abrigo
de RIOS, Alice;
Categoria: Literatura - Conto
Idade: 6 - 12
Editora: Estratégias Criativas
Ano da Obra: 2009
recenseador: António Couto Viana, 2010


Eis um gracioso conto, ilustrado com delicadeza para a infância. Suponho que a autora se estreia, com ele, nesta difícil modalidade. Se é assim, trata-se de uma estreia auspiciosa. O entrecho, muito simples, atendendo ao leitor (ou ouvinte) para quem foi concebido, conta-se numa penada: dois fantasminhas, irmão e irmã, o Borlububo e a Borlububa, a viverem nos subterâneos da cidade do Porto, existentes desde o tempo dos reis espanhóis, Filipes, costumam sair à noite para o exterior, a ajudar os sem-abrigo, que dormem em más condições, nos jardins, no frio, nos invernos rigorosos. Um simples bafo dos dois irmãos os aquecem, os confortam.
Também os fantasminhas castigam quem rouba estes desgraçados adormecidos, fazendo gelar as mãos do ladrão. Condenados a viver apenas à noite, já que a luz do sol lhes é insuportável, os Borlububos não têm, senão, como protegidos os Borlububos, dos vagabundos "que vagueiam errantes, que não pertencem a lado nenhum, a uma terra ou um lugar, que andam de um lado para outro, não querem viver com regras de ter casa e emprego, que fazem vida de maltrapilhos" (definição da autora, num pequeno dicionário publicado no final do livro).
Obra recomendável pelo propósito, pela escrita e pelos desenhos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Os Borlububos e os Sem-Abrigo



Eis o primeiro livro dos Borlububos, onde se narra uma história de solidariedade. Os seus protagonistas saem das entranhas da cidade - território constituído por uma rede de canais, galerias e aquedutos, com mais de cinco séculos, onde habita uma comunidade de fantasmas, dentre eles dois juvenis, os Borlububos, que fazem da noite um lugar luminescente.

Embora pertençam ao universo do fantástico os Borlububos movem-se nas ruas do Porto, onde a crise económica, o desemprego, a destruturação da família, a solidão e a pobreza vão depondo um número crescente de desabrigados. E sendo seres imaginários os dois fantasminhas assumem comportamento humano, privilegiando a noite para desenvolver acção cívica e humanitária.

Os Borlububos são os heróis invisíveis de uma história para entreter e ensinar, que pode ir ao encontro de orientações curriculares ou dos objectivos da escola. Uma história que através da fantasia e do maravilhoso aborda a questão social dos sem-abrigo; introduz noções de solidariedade; favorece uma aitude de respeito para com os mais desfavorecidos; e induz o interesse pela História da cidade.